terça-feira, 19 de maio de 2015

"A Psicologia explica"

Comei um trabalho para Psicologia Social, no 2º ano da Licenciatura, dizendo

"O Homem é um conjunto de aspectos positivos e negativos que podem emergir ou não, dependendo das circunstâncias em que se vê envolvido. Deste modo, não se pode considerá-lo inerentemente consistente, dependendo as suas acções não apenas da sua personalidade mas também da situação em que está inserido." 

Zimbardo e colaboradores (1971) realizaram um estudo em que, de forma muito resumida e para toda a gente perceber, colocaram num espaço, que simulava uma prisão, dois grupos de jovens universitários. Um dos grupos seria os guardas prisionais e o outro os prisioneiros. Os primeiros dias foram tão violentos que os investigadores tiveram que abortar a investigação. Os "guardas prisionais" rapidamente assumiram um papel autoritário e violento, em que humilhavam os "prisioneiros". Os "prisioneiros", por seu turno, assumiram um papel submisso, em que aceitavam a humilhação e violência pratica pelos "guardas prisionais". 

Foi uma coisa bonita e que demonstrou como é fácil as pessoas, ao fazerem parte de um grupo, perderem a sua identidade pessoal, os seus valores, a sua consciência ou responsabilidade, desenvolvendo, por exemplo, comportamentos anti-sociais. É a chamada teoria da Desindividualização e que eu acho que, na verdade, explica muita coisa. 

Explicará, por exemplo, os comportamentos perpetrados pelas SS na II Guerra Mundial ou os comportamentos dos militares americanos em Abu Ghraib. Zimbardo, aliás, deu uma conferência TED em que relacionava o Stanford Prison Experiment com Abu Ghraib. 

E explicará, também, os comportamentos a que assistimos nos últimos dias e que nada têm a ver com clubismos. A Psicologia também explica o amor / ódio relacionado com o futebol, mas isto é uma coisa diferente. Isto é abuso da Polícia só porque pode. Isto é a violência das pessoas e roubar porque estão em grupo, porque a coisa se proporcionou. Claro que aquilo a que se assistiu é diferente do Stanford Prison; no entanto, julgo que o princípio é o mesmo. O ser humano, por mais que queiramos acreditar no contrário, não é inerentemente bom - ou mau. Pelo contrário, dependendo das circunstâncias, o ser humano pode cometer actos bons ou actos maus. Das circunstâncias e do grupo em que está inserido. 

Acredito que pelo menos algumas das pessoas que pilharam o estádio dissessem, anteriormente, que seriam incapazes de fazer o que depois fizeram. And yet... É estúpido, é ridículo. Aquelas imagens passam um atestado de estupidez, de falta de civismo. Mas, infelizmente, não me surpreende. 

A Psicologia explica e a verdade é que o ser humano é estúpido.


sábado, 16 de maio de 2015

Eu já devia ter aprendido. Burra.

Não me posso permitir ficar entusiasmada com alguma coisa relacionada comigo, com o meu futuro, com os meus feitos, com os meus objectivos. Não me posso esperançar com pessoas, com relações com o futuro. 

Não posso. 

Posso ficar feliz pelos meus amigos, que o que eles querem, procuram, concretiza-se. Não posso ficar comigo. 

Dorme, mãe Pátria, nula e postergada,
E, se um sonho de esperança te surgir,
Não creias nele, porque tudo é nada,
E nunca vem aquilo que há-de vir.

Não posso sonhar ou ter esperança. Ou se tiver um sonho, ou uma esperança, não posso acreditar nele.
Porque não se vai concretizar. Porque nunca nada se concretiza. 

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Mas estou mesmo (MESMO) feliz. A sério.

No ano passado, como disse aqui, fui a dois casamentos mega especiais. Mesmo. Foram os melhores casamentos de sempre.

Passados 9 meses do segundo casamento, veio hoje a grande notícia. O primeiro bebé desse casamento já está aí, na barriga da minha amiga. Fui buscá-la para almoçar, ela apontou para a barriga e pronto. Abracei-a (logo eu, que nunca dou abraços a ninguém!), levantei a blusa e disse "olá bebé!". Fui ridícula e nunca pensei que fosse ser assim - afinal, eu sou uma cabra insensível. Mas assim vale a pena ser ridícula. 

Nos últimos tempos, tenho andado meio "tremida" com esta minha amiga. É um bocado egocêntrica, só vê o lado dela e não percebe o quão controladora consegue ser e sem sentido. Mas hoje nem me lembrei disso. Deitei esses episódios para trás das costas. A minha amiga vai ser mãe (e o meu amigo vai ser pai). Eu vi o início daquela relação. E agora já há uma uva. Eu vou ser tia. 

A minha vida com eles, a partir de agora, não vai ser a mesma. Eu sei disso. O bebé vai nascer no fim de Novembro / início de Dezembro. Ou seja, no Jantar de Natal deste ano já vai haver um bebé a chorar com fome, com xixi ou com cocó ou com sono ou por outra coisa qualquer. Quando eu fizer 27 anos, no jantar de aniversário, se o fizer, já vai haver toda a logística que um bebé de 3 meses acarreta, com carrinho e etc. E quando ele começar a falar, vou ter que ter cuidado com os palavrões, com os meus "foda-se que está quente!" (também é das poucas vezes que mando palavrões, ah ah). 

E, bom, talvez isso possa ser chato. Porque, afinal, eu não me vejo a ter filhos nos próximos 50 anos e, em parte, é porque não me vejo com vontade de perder a liberdade que o não ter filhos permite. 

Mas... Não interessa. A minha amiga e o meu amigo vão ser pais. Eles vão ter um filho. Wow. É o sonho deles. Eles fazem parte da minha vida e eu faço parte da vida deles e vou ter o meu primeiro sobrinho / a minha primeira sobrinha. Vou brincar com um bebé, vou ajudar a criar uma pessoa - porque quero estar presente na vida deste bebé. 

Acabei de decidir o meu papel na vida dele: vou ser a sua fixe mas que incute responsabilidade. 

Vou ser tia!!

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa

Não me sinto muito inspirada para grandes dissertações. Mas acabei de ler isto e tenho que dizer qualquer coisa. 

Muito se discute acerca dos padrões de beleza. Concordo. Em parte. 
Por um lado, acho bem que se saia da "tirania" (apesar de não saber exatamente onde essa tirania está... Provavelmente, mais do que do mundo exterior, estará dentro de cada um(a) de nós, que se deixa influenciar por esse mundo exterior. Mas isso é outra questão) da magreza. Tod@s queremos ser magr@s e o magro é o bonito. 

No entanto, não acho bonita aquela coisa que agora anda muito em voga do "mulheres reais têm curvas". Eu percebo o objectivo, claro que percebo, mas acho que é abusivo. Tal como seria abusivo dizer "mulheres reais são magras". As mulheres gordas iriam ficar chateadas, e teriam toda a razão. Mas as mulheres magras, que não têm, necessariamente, que ser mulheres obcecadas pela magreza (e mesmo que o fossem!), também têm o direito de ficar ofendidas com a frase "mulheres reais têm curvas". 

É um bocado estúpido. Ai coitadinhas de nós, que vivemos numa ditadura da magreza, as mulheres magras são umas estúpidas e as gordas são umas coitadinhas que são gordas e toda a gente goza com elas e não se deve gozar com elas e quem goza com elas é um ovo podre. Então vamos gozar com as magras. Pode-se gozar com umas mas não se pode gozar com as outras. Pode-se dizer que umas são mais reais que as outras. Está certo. Para mim, que não percebo nada disto, magras, gordas, baixas, altas ou míopes, são reais. Respiram... são reais. Mas pronto.

No entanto, de forma a sair-se da tal "tirania", acho muito bem que os media "utilizem" (não estou aqui a dizer que as mulheres [ou os homens] são objectos que possam ser utilizados. Daí as aspas no utilizem. É só uma forma de expressão) mulheres comuns, i.e., não mulheres "reais", mas mulheres com celulite, com mais 5, 10 ou 20 quilos, mulheres com rugas, mulheres com vitiligo, etc. Acho muito bem. Assim como acho muito bem que a Giselle Bundchen continue a fazer campanhas fotográficas, que a mulher é gira que dói.

Mas uma coisa é essas mulheres fazerem campanhas, aparecerem nas novelas, nos filmes, etc. Outra coisa, completamente diferente, é uma modelo de 113kg com 1.65m aparecer e dizer que quer alterar mentalidades. Acho muito bem que se alterem mentalidades. Mas nem toda a alteração de mentalidades é boa. Passar-se de extrema magreza para obesidade extrema não é bom, é igualmente mau. Não estou a dizer que a menina devia ficar fechada em casa por ser gorda. Não é isso. Mas acho mau, indecente e quase criminoso vir dizer que quer alterar mentalidades. Ela até pode fazer exercício e béu béu béu. Mas promover a obesidade, dizer, quase, que é uma coisa boa, não. 

Acho mal. 


domingo, 3 de maio de 2015

Da (falta de) confiança. Em mim. E nos outros. E do deixar-me ir.

Eu gostava, a sério que sim.

Eu gostava de ser daquelas pessoas que confia em si o suficiente para não ter medo de agir. Para achar que o trabalho que fez está bem feito e não ter medo de o entregar ou de o apresentar. Eu gostava de ser daquelas pessoas que confia em si o suficiente para ter coragem para falar com outras pessoas que não sejam aquelas com quem fala sempre. Aquela pessoa que não se esconde por detrás da capa de indiferença porque, simplesmente, não tem confiança nas suas capacidades sociais. Tenho perfeita noção que não sou das pessoas mais "welcoming" que existem; no entanto, isso não é, muitas vezes, por não gostar das pessoas (ainda que isso também aconteça muitas vezes). Isso é consequência, simplesmente, porque não sei o que dizer. Sou um ser "socially awkward" e nunca sei o que dizer. E isso é terrível. Impede-me de conhecer pessoas novas ou de conhecer melhor pessoas que já conheço (e que queria conhecer melhor). Isso priva-me de muita coisa. Por outro lado, eu sei a imagem que passo. Passo, muitas vezes, a imagem da miúda indiferente, que não quer saber. E, bem... Muitas vezes não quero mesmo saber. O pior são aquelas vezes que eu até quero saber. Mas não sei o que dizer. O que fazer. Como agir. E é mais fácil ser (parecer) indiferente que ser uma idiota. 

E isto é a falta de confiança em mim.

Depois, relacionado com isto, falta-me, também, confiar nos outros. Falta-me deixar-me ir não só por não confiar em mim mas, também, por não confiar nos outros. Ou, mesmo que não confie, falta-me não me importar com essa coisa da confiança. Falta-me deixar-me ir. Falta-me confiar. Se estou mal com alguma coisa, em vez de falar com alguém sobre isso, escondo-me na minha concha. A minha concha segura. Mas solitária. Onde só caibo eu e as minhas séries ou livros. Onde não deixo entrar ninguém. Nem os meus amigos. Para mim, ninguém precisa de saber o que se passa na minha cabeça, ninguém quer saber o que se passa na minha cabeça, ninguém me ia ajudar sabendo o que se passa na minha cabeça. Muito, muito, pelo contrário. Sabendo o que se passa na minha cabeça, sabendo as minhas fraquezas, as pessoas ficam com vantagem sobre mim. Por outro lado, a partir do momento em que eu me abro com as pessoas, acabo por esperar mais alguma coisa delas - mais compreensão, mais "segurança". E, eventualmente, vão desiludir-me. Porque é o que acontece sempre. 

Eu gostava. A sério que gostava de ser daquelas pessoas com confiança em si e nos outros. Ou pelo menos aparente. Mas não consigo. Eu sei, pelo menos em parte, porque é que sou assim. Mas isso não me ajuda. No entanto, é uma coisa que tenho que mudar. Ou, pelo menos, que quero mudar. 


Tudo isto porque estou a ver vestidos no site da ASOS, apetece-me comprar alguns (ou pelo menos um ou outro, visto que estou mais falida que a Grécia) e percebi que por mais que goste deles, não conseguiria nunca confiar num site de compras exclusivamente online. Eu compro livros online, pela FNAC e pela AMAZON. Mas uma coisa são livros e outra é roupa. Roupa, online, compro pela MANGO, onde posso trocar, ou devolver, na loja, caso não goste ou não me sirva. Teoricamente, pelo que oiço dizer, é possível devolver à ASOS. Mas não confio. Não consigo. Enfim, as considerações quase filosóficas a que uns vestidos levam, ah ah! 




domingo, 26 de abril de 2015

Percebes que afinal ainda não és uma verdadeira crominha das corridas quando

Por estar a chover, não vais correr.
Este fim-de-semana queria ter corrido, mas como está de chuva não o faço. Não quero (não posso) ficar doente. 

No entanto, fico com a neura por não ir correr. 

Totalmente irrelevante, eu sei. Tudo neste blog é totalmente irrelevante.  

quinta-feira, 23 de abril de 2015

A sério, isto é estúpido mas é uma pequena vitória

Percebi, há dias, que estou com uma pequena crush em relação a um rapaz (a sério, durante mais quanto tempo é que vou chamar aos seres masculinos mais ou menos da minha idade de rapazes e não de homens?) lá do ginásio. 

Daquelas coisas parvas e adolescentes, baseadas no "epá, tem um sorriso fofinho. E não parece daqueles protótipos de ginásio. E é simpático". É parvo e adolescente. 

E é claro que não vai passar disso mesmo.

Mas o importante e digno de nota disto tudo, é o que isso significa. Eu estou a permitir-me ter uma crush parva sem racionalizar muito a coisa. O que significa que estou, parece-me, finalmente a deixar o idiota do outro parvo ir. For fucking good. Uepa uepa uepa. 

terça-feira, 14 de abril de 2015

E depois, vemos estes psicólogos que até estão a trabalhar mas que nos fazem sentir vergonha alheia

Nas duas últimas segundas-feiras, fui a uma formação relacionada com as Dificuldades na Leitura. Dada por uma Psicóloga Educacional que lida, todos os dias, com meninos e meninas que têm, entre outras, dificuldades na leitura e na escrita. 

Esta psicóloga educacional que, devido ao seu trabalho, tem uma responsabilidade acrescida no que diz respeito a escrever e falar bem, escreveu duas vezes, na apresentação Power Point, "corriga" em vez de "corrija". 
Como se não fosse suficiente, na sessão de ontem ainda disse "hadem". 

Vou ali limpar o sangue que me saiu dos olhos e dos ouvidos. 

A Psicologia em Portugal

Existem muitos psicólogos no desemprego. 







Existe muito trabalho para os psicólogos. 

São precisos psicólogos no SNS, são precisos psicólogos nas escolas e nos agrupamentos escolares, são precisos psicólogos nas Câmaras e nas Juntas de Freguesia, são precisos psicólogos, são precisos psicólogos, são precisos psicólogos. E, ainda assim, são milhares os psicólogos que estão no desemprego. 

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Baby steps

No comboio, a ouvir a música da cena em que o Ryan "deixa" a Marissa "ir" (isto são tão melhor em Inglês), fiz o mesmo. Apaguei alguns vestígios da minha irritação com ele do meu telemóvel. Não porque o tenha "perdoado" (na verdade, o que é que há, realmente, para perdoar?) mas porque, simplesmente, não vale a pena.

Não vale.

Por muita razões. 

Não vale. 

Já o disse antes mas criatura resolveu reaparecer. Mas agora percebi, realmente, a "cena" dele. E não vale a pena. Se gostava de lhe dizer aquilo que apaguei? Gostava. Mas não vale a pena passar por maluca psicótica. 

Não vale. 

Valerá?

Até que cai a noite

Às vezes a noite é boa. 

Outras vezes, talvez na maior parte delas, e só a altura em que os macaquinhos acordam com toda a sua força. 

Calem-se. Desapareçam. Não vos aguento mais. 

terça-feira, 7 de abril de 2015

Abril

Abril não começou fácil. No rescaldo de Março, e porque é impossível, com o virar do mês, esquecer o que ficou para trás, Abril começou tremido. Porque tinha a bagagem de Março e porque, entretanto, e como a vida é espectacular, surgem outras merdas que pioram tudo. 

Mas é como diz a música. It's always darkest before the dawn. E ainda que as coisas não tenham passado completamente e ainda que continue com a cabeça cheia de macaquinhos, o mau humor e o estado depressivo do início do mês estão a melhorar. Baby steps. Já fui à praia, já voltei a ir correr de manga curta e descobri, aos 26 anos, que adoro ir passear o cão (ou cadela... a minha "sobrinha" mai linda).

A vida não é sempre má. A vida é, muitas vezes, boa. Tenho que me lembrar disto mais vezes. E lembrar-me que apesar das desilusões, ainda tenho pessoas que ao perceberem que "não está fácil" tentam fazer o que podem para que fique "mais fácil". 

domingo, 29 de março de 2015

Março

Já no ano passado foi a mesma coisa. Março passou e escrevi apenas um post. Um post positivo, é certo, mas que surgiu após um mês (ou mais que um mês, vá) mau que culminou numa importante e difícil decisão. Foi a decisão mais acertada, não tenho dúvidas, mas tal não implica que não tenha sido difícil. E que não traga, também, algumas consequências menos positivas.

E chegámos a Março de 2015. Sem nenhuma decisão tão importante, mas com alguns pequenos acontecimentos que o tornaram num mês não tão fácil. 

Março é o mês em que faço anos. E a partir do momento em que não estou perto daquilo que queria estar, a partir do momento em que não fiz 1/3 das coisas que queria ter feito, então fazer anos não é assim uma coisa tão espectacular como isso. Especialmente quando fazer anos implica fazer 26 anos e ficar oficialmente mais perto dos 30 que dos 20. 

E isso seria mais suportável se não me sentisse tão sozinha como toda a gente que lê este blog (as duas pessoas) sabe. Sei que, no limite, não estou sozinha. Eu sei disso. Mas sinto-me sozinha. Mas, na verdade, suponho que isso nem é o pior. O pior é mesmo desiludir-me com pessoas que até há bem pouco tempo eram importantes para mim. Disse, uma dessas pessoas, que fez determinada coisa por ser das pessoas que mais gosta de mim. Pois, mas a verdade é que tem uma maneira muito estranha de o demonstrar. E eu já deixei de acreditar. E cheguei ao ponto do "estou-me a cagar". Que é difícil. Mas cansei. Cansei, mesmo, de ser a boazinha. Cansei, mesmo, de ser quem está sempre disponível para tudo. 

E agora, que cansei, as pessoas notam. E não gostam. E cobram o que não têm direito de cobrar. Cobram-me satisfações da minha vida, com quem tive, porque estive, porque cai mal e o camandro. Pois, temos pena (temos?). Cansei. 

E tudo isso mói. O desiludir. O estar-me a cagar. E o não estar perto daquilo que queria estar, o não ter feito 1/3 das coisas que queria ter feito. Custa. Todos os dias tenho vontade de mandar tudo e/ou todos à merda. Todos os dias tenho vontade de gritar e desaparecer. Pegar numa mochila e voar daqui para fora. Não o faço porque tenho o Mestrado (que gosto muito - valha-nos isso!) para acabar. 

Mas preciso de me libertar de uma série de coisas. Preciso de melhorar uma série de coisas. Preciso de deixar de me deprimir tanto. Mas também preciso que deixem de ser estúpidos. 

Março não foi um mês fácil. Foi um mês de turbilhão. Em que corri 100km (há meses que não o fazia) porque a minha cabeça precisava disso. Porque era isso ou mandar o mundo à merda. Não sei o que me espera Abril. Mas espero que seja melhor. Tem que ser melhor. 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

15.

Hoje corri 15 km e menos de uma hora e meia. Hoje bati o meu record de km percorridos num tempo até aceitável. Pelo menos para mim.

Consegui. I fucking did it. Fuck yeah! 

Posso fazer muita coisa mal. Posso andar triste e a sentir-me sozinha. Mas hoje corri 15 km. Venci a vontade de parar aos 10km e aos 13. Consegui. Consegui. Consegui. 

E fizeram-me tão bem. Estou a morrer, mas fizeram-me tão bem :D 


E para a meia dúzia de leitores deste blog, estes ténis, os Adidas Glide Boost, são óptimos. É possível que esta seja uma das opiniões mais honestas sobre eles, uma vez que esta espécie de blog não tem visibilidade suficiente para originar interesse da marca (no entanto, senhores da Adidas, se me estiverem a ler e acharem graça a esta criatura, estejam à vontade para me enviarem mails sobre produtos. E e enviarem-me produtos. O vosso site tem tantas coisas giras... Ah ah :P ). Mas o raio dos ténis são mesmo bons. Dores nos pés? Nenhumas. Bolhas nos pés? Nenhumas. Por isso, se quem me lê estiver a pensar nuns ténis de corrida, estes serão uma boa opção. Já nem penso naquilo que custaram. 


domingo, 22 de fevereiro de 2015

Gone Girl


Well, quanto mais me desiludo com as pessoas, mais agradeço o facto de adorar ler. Claro que muitas vezes acontece ler um livro que me desilude, mas, bem, é mais raro do que as desilusões com as pessoas. Whatever. 

Acabei hoje de ler o "Gone Girl". Versão original. E adorei. A história não foi propriamente uma surpresa, uma vez que já tinha visto o filme; ainda assim, em certos pormenores, conseguiu surpreender-me (a sério, porque é que o filme não foi buscar certa e determinada personagem do passado da Amy? Tinha sido ainda maisinteressante). 

Eu já tinha gostado bastante do filme. Esse sim, conseguiu surpreender-me - muito -, e saí da sala a achar que estava francamente bom. As interpretações dos actores e actrizes espectaculares e o lado mais "psicológico" prendeu-me mesmo. 

Agora que li o livro, continuo a gostar do filme, e acho que, apesar de algumas omissões, foi uma boa adaptação. No entanto, sim, gostei muito mais do livro. Por melhor que um filme seja, ele não consegue captar o "interior" dos personagens, mesmo que apresente muitos "diálogos interiores". E o livro da-nos isso, tornando-o muito mais rico que o filme. 

Gostei bastante. Preferia ter lido o livro antes de ter visto o filme, mas it is what it is (e bem, para dizer a verdade, o filme tornou um "date" desastroso num "date que correu mal mas hey, pelo menos vi um filme bom"). 

Ponto negativo: quão assistador é eu acabar por gostar de uma personagem psicopata? Sim, reconheço que as coisas feitas não foram bonitas, mas hey, a psycho bitch têm-nos no sítio. 

Well, fuck it.

Parte I

A B.L. com fama de mau feitio mas boazinha, sempre disponível para ouvir ou ajudar ou o que quer que seja, vai deixar de existir. 
A B.L., que porque não é de demonstrações fofinhas de abracinhos e beijinhos, tem fama de ser insensível, vai realmente começar a sê-lo. Vai deixar de pôr as outras pessoas em primeiro lugar em detrimento de si própria. 

Porquê? Porque é que eu hei-de continuar a fazê-lo, porque é que eu hei-de estar sempre disponível para ouvir as outras pessoas, para dar uma boleia (mesmo que não seja para nenhum sítio para onde eu tenho que ir, mesmo que eu tenha que sair de casa de propósito para levar uma pessoa a algum lado porque a pobre pessoa, coitadinha, tem mesmo que ir e está sem carro e blá bá blá), para fazer o que quer que seja se, depois, quando se trata de mim, ninguém (ou quase ninguém) quer saber?  


Parte II

Já vi, várias vezes, uma frase que diz qualquer coisa como "antes de te diagnosticares com depressão ou com baixa auto-estima, primeiro assegura-te que não estás, de facto, rodeado de idiotas". Não sei exactamente qual a origem desta frase mas, infelizmente, faz algum sentido na minha vida. Não digo que esteja rodeada de "idiotas", mas cada vez me desiludo mais com amigos meus que, até há pouco tempo, eu considerava excelentes amigos. São 2 amigas da Faculdade (já nem conto cm a terceira, que isso já foi há um ano) que agora, que estão nas suas novas vidas, estão ainda mais centradas em si próprias. E ontem (tal como há 2 semanas), foi a amiga mais antiga, egocêntrica, it's all about her and only her, 


Parte III

Estou cansada. Estou cansada de ser a pessoa invisível. A pessoa de quem as outras pessoas só se lembram quando precisam de alguma coisa (ou quase). A pessoa a quem dizem, aquelas pessoas que nunca estão disponíveis para nada, nem para responderem a uma mensagem, quando eu não estou disponível, por acaso, para aquilo que queria, "tu nunca podes". Estou cansada de ser a miúda (estou quase a fazer 26 anos, ainda me posso chamar de "miúda"?) "girinha", mas que, por alguma razão estranha, não deve ter assim tanta graça e socially awkward. E deste ciclo vicioso: sinto-me sem graça e socially awkward e por isso, sempre que alguém fala comigo, não sei o que dizer e, se estiver num dia mau, desconfio, o que leva a que arme uma barreira à minha frente, tornando-me ainda mais sem graça e socially awkward. 

Parte IV

Estou cansada. 


domingo, 8 de fevereiro de 2015

Do fim-de-semana

Parti-me mais um bocadinho. Nota mental: não vale mesmo a pena confiar em pessoas. Ou esperar o que quer que seja de pessoas. 

Pelo lado positivo, hoje voltei a correr em estrada. 10km ao frio, longe do meu melhor tempo (ainda que em menos de uma hora), mas que me souberam bem. Ia morrendo, mas souberam-me deliciosamente bem. Correr é (também) isto: estar a morrer e gostar. 

Ainda no lado bom dos últimos dias: na sexta saiu a última nota do primeiro semestre e acabei aquela cadeira com 18. 18.25 no exame e 18 no trabalho. Fiquei realmente feliz. 

Este semestre correu-me bem. Não só pelas notas, que foram, sem dúvida, muito boas, mas porque gostei realmente do que aprendi e fiz. É isto que eu quero fazer :)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Divagações, parte qualquer coisa

No outro dia, estava eu no ginásio, tive uma espécie de epifania. A associação de ideias é uma coisa terrível e não é à toa que o Pai da Psicanálise utilizava o método de Associação Livre para chegar à origem das neuroses. 

Obviamente que não foi isto que fiz nem tampouco cheguei à origem das minhas "neuroses". O que quero dizer é que a associação de ideias e pensar livremente faz-nos, por vezes, chegar a conclusões. E a mim, há uma semana, fez-me perceber qual será, talvez, a principal razão de ainda não o ter deixado ir. Não são as perguntas por responder nem o que deixamos por fazer. Sim, isso contribui. Sim, tenho saudades da parvoíce dele; sim, tenho perguntas por responder; sim, deixámos coisas por fazer. No entanto, acho que aquilo que se revela mais importante para a minha incapacidade de o deixar ir foi uma coisa que ele me disse no final. 

Dizia-me ele que cada vez se sentia mais "frio". Não por minha causa, mas que eu "levava" com isso. Sentia-se frio porque se sentia cada vez mais longe dos amigos, sentia que já não cabia na vida dos amigos nem os amigos cabiam na vida dele. E que apesar de gostar com eles, muitas vezes não tinha vontade de estar com eles. Para além disso, o estar "frio" fazia com que acabasse por afastar as pessoas. Como na altura me começou a afastar a mim. 

E no outro dia percebi. Eu não o consigo deixar ir porque é exactamente assim que me sinto. Não por achar, como se calhar achei noutras alturas, que "se eu estou sozinha e tu estás sozinho, vamos ficar sozinhos juntos". Mas por causa da identificação. Porque ele sente, ou pelo menos sentiu, o mesmo que eu sinto. E porque eu não sei o que fazer em relação ao que eu sinto. E porque, se calhar, no meu inconsciente, eu acho que ele é a única pessoa que realmente me perceberia e me poderia ajudar. Não que o objectivo fosse "vamos ficar juntos" (até porque eu tenho 98% de certezas que nós não resultaríamos enquanto casal com relação séria). Não. Acho que é apenas uma questão de compreensão. 

O bom disto tudo, desta epifania, é que parece que deixei de pensar tanto nele (apesar de estar a escrever este texto). Sim, lembro-me dele - até porque há o cabrão do Facebook -, mas parece que, com isto, deixei de pensar nele de uma certa maneira. E deixei de pensar tanto nas perguntas. 

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Auch

Ontem fiz pela primeira vez o novo treino no ginásio. E há muita coisa em mim que me está a doer. E nem sequer corri como deveria ter corrido.

Mais ai, que isto agora é o vai ou racha. Um quilo tem que ir ao ar em Fevereiro (idealmente, um quilo e meio). E quero ficar fit fit até ao Verão. Já ando de olho nuns ténis novos para correr e em suplementos de proteína. 

E é deixar de estar tanto frio e volto a correr na rua. Aliás, dia 15 de Fevereiro lá vou eu à Rapidinha de Cascais. 5km, que é o que a minha actual preparação me permite. 

E vamos lá, que isto faz bem à cabeça. E ao corpo.